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Metodologia Científica

Método Dedutivo

O método dedutivo tem seu registro histórico inicial na obra de Aristóteles. Assim, pode também ser chamado de lógica aristotélica. A parte mais importante da lógica aristotélica é sua teoria dos silogismos. O silogismo procura ser uma representação de nosso processo de raciocínio. Constitui-se num encadeamento de duas (ou mais) premissas que geram uma conclusão. Apesar de resultante das premissas, ela deve acrescentar algo de novo a elas. (SANTOS; PARRA FILHO, 2017).

O que é Método Dedutivo?

Método Dedutivo segundo os conceitos de alguns autores:

A dedução é a argumentação que torna explícitas verdades particulares contidas em verdades universais. A técnica dessa argumentação consiste em construir estruturas lógicas, por meio do relacionamento entre antecedente e consequente, entre hipótese e tese, entre premissas e conclusão. O processo dedutivo, por um lado, leva o pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro. Por outro lado, é de alcance limitado pois a conclusão não pode possuir conteúdos que excedam as premissas. Os argumentos Matemáticos são, maior parte, dedutivos. Exemplos podem ser recolhidos da geometria euclidiana do plano. Na Geometria, os teoremas são demonstrados a partir dos axiomas e postulados. O método de demonstração é deduzir os teoremas (ilação) dos axiomas e postulados (premissas). O método dedutivo garante que os teoremas devem ser verdadeiros se forem verdadeiros os axiomas e postulados. Embora o conteúdo dos teoremas já esteja fixado nos axiomas e postulados, ele está longe de ser óbvio. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007).

Por outro lado, é de alcance limitado pois a conclusão não pode possuir conteúdos que excedam as premissas. Os argumentos Matemáticos são, maior parte, dedutivos. Exemplos podem ser recolhidos da geometria euclidiana do plano. Na Geometria, os teoremas são demonstrados a partir dos axiomas e postulados. O método de demonstração é deduzir os teoremas (ilação) dos axiomas e postulados (premissas). O método dedutivo garante que os teoremas devem ser verdadeiros se forem verdadeiros os axiomas e postulados. Embora o conteúdo dos teoremas já esteja fixado nos axiomas e postulados, ele está longe de ser óbvio. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007).

A dedução consiste em um recurso metodológico em que a racionalização ou a combinação de ideias em sentido interpretativo vale mais que a experimentação de caso por caso. Em termos mais simples pode-se dizer que é o raciocínio que caminha do geral para o particular. A dedução necessita ter como pontos de partida premissas auto evidentes. Para a metodologia, é importante entender que no método dedutivo a necessidade de explicação não reside nas premissas, mas na relação entre as premissas e a conclusão. Uma crítica que encontramos ao método dedutivo é que a dedução não é condição suficiente de explicação, como também não é condição necessária, pois muitas são as explicações que não têm nenhuma lei como premissa. A descrição dos fatos ou fenômenos pode ser feita externamente sem necessariamente se processar dedução alguma. (BARROS; LEHFELD, 2014).

A dedução é um tipo de raciocínio que ocorre de modo contrário a indução. Parte-se de uma verdade estabelecida (geral) para provar a validade de um fato particular. Caminha-se da causa para o efeito. Nesse tipo de raciocínio a premissa maior é uma verdade absoluta, comprovada e que contempla toda a proposição contida na premissa menor. Assim a conclusão deverá ser necessariamente verdadeira. Parte-se de uma verdade universal, para se confirmar um elemento que faz parte desse conjunto maior. Portanto, a dedução é uma particularização. A premissa maior contempla integralmente a verdade da premissa menor; logo, o resultado será verdadeiro. Pode-se generalizar a verdade. (MICHEL, 2015).

De acordo com os estudos clássicos, o método dedutivo é sempre definido como sendo o procedimento de estudo que vai do geral para o particular ou, melhor dizendo, parte-se dois princípios já reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis para um final. A utilização do método dedutivo nos leva a partir do que já é conhecido para o desconhecido. Pode-se afirmar que, nesse caso, a margem de erro é quase nula, uma vez que a conclusão do estudo não deve extrapolar as premissas. (OLIVEIRA, 2018).

O método dedutivo, parte de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal, isto é, em virtude unicamente de sua lógica. É o método proposto pelos filósofos racionalistas (Descartes, Spinoza, Leibniz), segundo os quais só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro, que decorre de princípios a priori evidentes e irrecusáveis. O protótipo do raciocínio dedutivo é o silogismo, que consiste numa construção lógica que, a partir de duas proposições chamadas premissas, retira uma terceira, nelas logicamente implicadas, denominada conclusão. O método dedutivo encontra larga aplicação em Ciências como a Física e a Matemática, cujos princípios podem ser enunciados como leis. Por exemplo, da lei da gravitação universal, que estabelece que “matéria atrai matéria na razão proporcional às massas e ao quadrado da distância”, podem ser deduzidas infinitas conclusões, das quais seria muito difícil duvidar. Já nas Ciências Sociais, o uso do método dedutivo é bem mais restrito, em virtude da dificuldade para se obter argumentos gerais, cuja veracidade não possa ser colocada em dúvida.

Mesmo do ponto de vista puramente lógico, são apresentadas várias objeções ao método dedutivo. Uma delas é a de que o raciocínio dedutivo é essencialmente tautológico, ou seja, permite concluir, de forma diferente, a mesma coisa. Esse argumento pode ser verificado no exemplo clássico, quando se aceita que todo homem é mortal, colocar caso particular de Pedro nada adiciona, visto que essa característica já está presente na premissa maior. Outra objeção ao método dedutivo refere-se ao caráter apriorístico de seu raciocínio. De fato, partir de uma afirmação geral significa supor um conhecimento prévio. Como é que se pode afirmar que todo homem é mortal? Esse conhecimento não pode derivar da observação repetida de casos particulares, pois isso seria método indutivo ou indução. A afirmação de que todo homem é mortal foi previamente adotada e não pode ser colocada em dúvida. Por isso, há críticos do método dedutivo que argumentam que esse raciocínio se assemelha ao adotado pelos teólogos, que partem de posições dogmáticas. (GIL, 2019).

A lei fundamental do raciocínio dedutivo é que a conclusão não pode ter extensão maior que as premissas. Esse tipo de raciocínio leva ao estabelecimento de leis. Pela impossibilidade de estabelecer conclusões válidas universalmente, algumas ciências, como as sociais, valem-se de métodos de procedimento. A matemática, bem como a Física, utiliza-se do método dedutivo, pois a função básica é demonstrar o que implicitamente já se encontra no antecedente. (MEDEIROS, 2019).

Partindo das teorias e leis, o método dedutivo, na maioria das vezes, prediz a ocorrência dos fenômenos particulares (conexão descendente). (MARCONI; LAKATOS, 2019).

Exemplo clássico de Método Dedutivo

Todo homem é mortal. (premissa maior)
Pedro é homem. (premissa menor)
Logo, Pedro é mortal (conclusão)

Objetivo do Método Dedutivo

O método dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular. (PRODANOV; FREITAS, 2013).

Formas de Raciocínio de Dedução

O processo do raciocínio dedutivo pode ocorrer de duas formas; quando a conclusão é obtida a partir de uma só proposição, denomina-se dedução imediata. Já quando é obtida a partir de várias proposições, denomina-se dedução mediata.

Dedução Imediata

É a conclusão obtida a partir de uma só proposição, que pode ser feita por meio de dois processos.

a) Oposição: quando a proposição, tendo os mesmos sujeito e atributo, difere na quantidade e na qualidade.

b) Conversão: enquanto no processo de oposição, cuja dedução é obtida a partir dos mesmos sujeito e atributo, diferindo na quantidade e na qualidade, a conversão consiste em deduzir uma proposição de outra mudando-se os termos, ou seja, mudando-se o sujeito para o atributo e o atributo para sujeito. A proposição convertida não deve negar nem acrescentar nada à proposição primitiva.

Regras para a Dedução Imediata

  • Denomina-se proposição contraditória quando difere ao mesmo tempo na quantidade e na qualidade.
  • Quando diferem apenas na qualidade, chamam-se proposição contrária, quando gerais.
  • Quando a proposição é particular e só difere na qualidade, é denominada proposição subcontrária.
  • São consideradas proposições subalternas quando diferem apenas na quantidade.

De acordo com a oposição:

  • Duas proposições contraditórias não podem ser verdadeiras e falsas ao mesmo tempo; quando uma é verdadeira, a outra será necessariamente falsa e vice-versa. Uma coisa é ou não é.
  • Quando há proposições contrárias, da verdade de uma se deduz, imediatamente a falsidade de outra, mas da falsidade de uma não se conclui a verdade ou falsidade de outra; porém ambas podem ser falsas.
  • Quando há duas proposições subcontrárias, da falsidade de uma segue-se a verdade da outra, mas da verdade de uma não se conclui nada a respeito da outra.
  • A proposição subalterna é aquela que difere apenas na quantidade. Da verdade de uma proposição geral, pode-se concluir a proposição particular.

Dedução Mediata (Silogismo)

Enquanto a dedução imediata obtém conclusões a partir de apenas uma proposição, na dedução mediata a conclusão é obtida a partir de duas proposições chamadas premissas, das quais, por intermédio de duas ideias, obtém-se uma terceira. Este processo de dedução mediata denomina-se silogismo.

Todo silogismo contém três proposições, nas quais três termos são comparados dois a dois. Os termos podem ser:

  • O grande termo, que figura como atributo na conclusão. É dos três termos o que tem maior extensão.
  • O pequeno termo, que figura na conclusão como sujeito, é o que tem extensão mais restrita.
  • O termo médio é o intermediário, que permite conhecer a relação entre o grande termo e o pequeno termo.

Regras das Proposições

O silogismo se compõe de duas proposições chamadas premissas, das quais deriva uma terceira. No processo de dedução imediata, é importante ter conhecimento de determinadas regras, cujo objetivo maior é facilitar o raciocínio dedutivo mediato.

  • Nenhuma conclusão pode ser derivada de duas premissas negativas.
  • Jamais será obtida uma conclusão negativa derivada de duas premissas afirmativas em função do princípio de que duas ideias que convêm a uma terceira convêm necessariamente entre si.
  • Sempre que houver uma premissa negativa, que é considerada mais fraca que a afirmativa, a conclusão será resultante da mais fraca.
  • Dadas duas premissas particulares, nada se conclui. Resumindo, nenhum termo pode ser mais geral na conclusão do que nas premissas, ou seja, a conclusão não pode ir além daquilo estabelecido nas premissas e o termo médio deve ser tomado pelo menos uma vez no sentido geral.

Silogismos Irregulares

Existem outros tipos de silogismos, que não estão sujeitos a regras como as descritas anteriormente, por terem características diferentes.

  • O silogismo que traz subentendida uma das premissas – ou, às vezes, até a conclusão – é denominado entimema.
  • Quando as premissas do silogismo vêm acompanhadas da prova; a este denomina-se epiquerema.
  • Quando o raciocínio é composto de vários silogismos, dispostos de forma que a conclusão do primeiro sirva de premissa maior do segundo, e assim por diante.
  • Quando se tem uma cadeia de proposições ligadas entre si, de tal maneira que o atributo da primeira sirva de sujeito para a segunda, o atributo da segunda sirva de sujeito para a terceira e assim por diante, até que se una, na conclusão, o sujeito da primeira com o atributo da última, este silogismo é denominado sorites.
  • Quando tem um duplo silogismo com uma única conclusão, denomina-se dilema (que tem duas proposições).

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Referências Bibliográficas:

BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia Científica. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2014.

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A.; DA SILVA, Roberto. Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: prática de fichamentos, resumos, resenhas. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

MICHEL, Maria Helena. Metodologia e Pesquisa Científica em Ciências Sociais: um guia prático para acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2015.

OLIVEIRA, Maria Marly de. Como Fazer Pesquisa Qualitativa. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2018.

PRODANOV, Cleber Cristiano.; FREITAS, Ernani Cesar de Freitas. Metodologia do Trabalho Científico [recurso eletrônico]: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.

SANTOS, João Almeida; PARRA FILHO, Domingos. Metodologia Científica. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017.

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